O mercado imobiliário português continua a ser um tema de grande interesse e debate, tanto para investidores como para o público em geral. Recentemente, o Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou os dados do Inquérito à Avaliação Bancária na Habitação, referentes a fevereiro de 2025, que oferecem uma visão detalhada das tendências e dinâmicas deste setor. Este artigo tem como objetivo analisar esses dados, fornecendo uma perspetiva abrangente e aprofundada sobre o estado atual do mercado imobiliário em Portugal.
Valor Mediano de Avaliação Bancária: Uma Visão Geral
Em fevereiro de 2025, o valor mediano de avaliação bancária na habitação atingiu os 1 810 euros por metro quadrado. Este valor representa um aumento de 36 euros em relação ao mês anterior, o que corresponde a uma variação de 2,0%. Em termos homólogos, ou seja, comparando com fevereiro de 2024, a taxa de variação foi de 16,0%, um aumento significativo que reflete a valorização contínua dos imóveis em Portugal.
Este aumento homólogo de 16,0% é ainda mais expressivo quando comparado com a taxa de 14,5% registada em janeiro de 2025, indicando uma aceleração no ritmo de valorização. Em fevereiro, foram efetuadas cerca de 35,1 mil avaliações bancárias, um número que representa uma ligeira descida de 0,5% face ao mês anterior, mas um aumento de 23,9% em termos homólogos. Este aumento homólogo no número de avaliações sugere uma maior atividade no mercado, apesar da ligeira contração mensal.
Análise por Tipo de Habitação
A análise por tipo de habitação revela diferenças importantes entre apartamentos e moradias. O valor mediano de avaliação bancária de apartamentos foi de 2 032 euros/m2, um aumento de 16,7% em relação a fevereiro de 2024. As moradias, por sua vez, registaram um valor mediano de 1 347 euros/m2, com um acréscimo de 9,5% no mesmo período.
Os apartamentos T1, T2 e T3 também apresentaram variações interessantes. O valor mediano dos apartamentos T1 subiu 70 euros, para 2 552 euros/m2, enquanto os T2 e T3 aumentaram 37 euros e 35 euros, respetivamente, para 2 080 euros/m2 e 1 801 euros/m2. No seu conjunto, estas tipologias representaram 92,1% das avaliações de apartamentos realizadas no período em análise, o que sublinha a sua importância no mercado.
Disparidades Regionais: Uma Análise Detalhada
As disparidades regionais são uma característica marcante do mercado imobiliário português. A Grande Lisboa e o Algarve destacam-se pelos valores mais elevados de avaliação bancária, tanto para apartamentos como para moradias. Em fevereiro de 2025, a Grande Lisboa registou valores de 2 699 euros/m2 para apartamentos e 2 529 euros/m2 para moradias, enquanto o Algarve apresentou 2 350 euros/m2 para apartamentos e 2 448 euros/m2 para moradias.
Em contraste, o Alentejo apresentou os valores mais baixos, com 1 272 euros/m2 para apartamentos e 1 098 euros/m2 para moradias. Esta diferença significativa reflete as dinâmicas económicas e sociais distintas entre as regiões, bem como a procura e oferta de habitação.
A análise das variações homólogas também revela tendências interessantes. A Península de Setúbal apresentou o crescimento homólogo mais expressivo para apartamentos (17,8%), enquanto o Alentejo foi a única região a registar uma descida (-0,6%). Para as moradias, a Região Autónoma da Madeira destacou-se com o maior crescimento homólogo (17,6%), não se tendo registado qualquer descida em nenhuma região.
Índice do Valor Mediano de Avaliação Bancária: Uma Comparação Regional
O Índice do Valor Mediano de Avaliação Bancária permite uma comparação mais direta entre as diferentes regiões NUTS III. Em fevereiro de 2025, a Grande Lisboa, o Algarve, a Região Autónoma da Madeira, a Península de Setúbal e o Alentejo Litoral apresentaram valores de avaliação superiores à mediana do país, com destaque para a Grande Lisboa, que registou um índice de 148.
Por outro lado, o Alto Tâmega e Barroso, o Alto Alentejo e a Beira Baixa apresentaram os valores mais baixos em relação à mediana do país, com índices de -52,4%, -51,0% e -50,0%, respetivamente. Estas disparidades regionais refletem as diferenças na atratividade e no desenvolvimento económico de cada área.
Número de Avaliações Bancárias: Uma Perspetiva Quantitativa
O número de avaliações bancárias é um indicador importante da atividade no mercado imobiliário. Em fevereiro de 2025, foram consideradas 35 095 avaliações para o apuramento do valor mediano, o que representa um decréscimo de 0,5% em relação ao período anterior. No entanto, em termos homólogos, registou-se um aumento de 23,9%, com 22 862 avaliações de apartamentos e 12 233 de moradias.
Este aumento homólogo sugere que, apesar da ligeira contração mensal, o mercado imobiliário continua a ser dinâmico, com um número significativo de transações e avaliações a ocorrer.
Conclusão: Perspetivas e Implicações para o Mercado Imobiliário
Os dados do Inquérito à Avaliação Bancária na Habitação de fevereiro de 2025 revelam um mercado imobiliário em crescimento, com uma valorização contínua dos imóveis e uma atividade significativa, apesar de algumas disparidades regionais e variações mensais.
O aumento homólogo dos valores de avaliação e do número de avaliações sugere uma procura robusta e um mercado dinâmico. No entanto, as disparidades regionais destacam a necessidade de uma análise cuidadosa das dinâmicas locais, uma vez que as condições do mercado podem variar significativamente de uma região para outra.
Para os investidores, estes dados oferecem uma visão valiosa das tendências do mercado, permitindo identificar oportunidades e tomar decisões informadas. Para o público em geral, a informação sobre os valores de avaliação e as variações regionais pode ser útil na hora de comprar ou vender um imóvel.
Em suma, o mercado imobiliário português continua a ser um setor vibrante e em evolução, com desafios e oportunidades que exigem uma análise cuidadosa e uma compreensão aprofundada das suas dinâmicas.
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